O ChatGPT pode ajudar na gestão de viagens corporativas em tarefas como criação de políticas, análise de despesas, elaboração de comunicados, preparação de negociações e simulação de cenários. Mas existe uma diferença importante entre usar a IA para analisar informações fornecidas pelo gestor e conectá-la aos dados reais da operação.
Sem uma integração, o ChatGPT não conhece a política da sua empresa, não acessa automaticamente os dados do programa de viagens e não deve ser tratado como fonte de tarifas em tempo real.
Para levar a inteligência artificial aos dados corporativos com regras de acesso e governança, uma das alternativas é o MCP (Model Context Protocol). Neste artigo, iremos explicar tudo sobre essa IA aplicada a gestão de viagens, quais cuidados tomar, e muito mais.
O uso de inteligência artificial na gestão de viagens acontece em um momento de expansão do próprio mercado. A GBTA estima que os gastos globais com viagens corporativas chegarão a US$ 1,71 trilhão em 2026, enquanto o Brasil aparece entre os mercados de maior crescimento, com alta projetada de 13,8% no ano.
No Brasil, o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), elaborado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, projeta R$ 205,6 bilhões em gastos com viagens corporativas em 2026, novo recorde para o setor.
Com mais dinheiro circulando na operação, aumenta também a necessidade de analisar dados, revisar políticas e encontrar oportunidades de controle de custos.
É nesse ponto que ferramentas como o ChatGPT podem ajudar. O modelo é especialmente útil quando recebe uma tarefa clara e informações suficientes para executá-la.
O ChatGPT pode apoiar o gestor em atividades que envolvem texto, organização de informações, análise e preparação de decisões. Veja alguns exemplos.
A política de viagens corporativas é um documento de texto, um conjunto de regras e diretrizes estabelecido por uma empresa para orientar e regulamentar as viagens a trabalho de seus colaboradores, o que torna o ChatGPT útil para criar um primeiro rascunho, reorganizar regras ou revisar a clareza de um trecho.
Exemplo de prompt de gestão de viagens para ajustar a política de viagens:
"Sou gestor de viagens de uma empresa com 400 colaboradores e viagens nacionais frequentes. Redija uma seção de política de viagens sobre limites de hospedagem por cidade, com regra de exceção e fluxo de aprovação. Tom direto, em português do Brasil."
O resultado precisa ser comparado com as regras efetivamente adotadas pela empresa antes de entrar na política oficial.
Se o gestor fornecer os dados, o ChatGPT pode organizar informações, identificar concentrações de gastos e sugerir pontos que merecem investigação.
Prompt:
"Abaixo está a lista de despesas de viagem do último trimestre, com colaborador, categoria, valor e data. Identifique as cinco maiores concentrações de gasto, aponte itens fora do padrão e sugira três perguntas que eu deveria fazer ao financeiro."
Nesse caso, a qualidade da análise depende diretamente dos dados fornecidos. O ChatGPT não acessa automaticamente o sistema financeiro ou de despesas da empresa.
Com histórico e premissas definidas pelo gestor, a IA pode estruturar cenários de orçamentos de viagens e comparar os impactos de diferentes hipóteses.
Prompt:
"Gasto médio mensal de viagens: R$ 180 mil. Premissas para o ano que vem: 15% mais eventos, IPCA projetado em 4,2%, sem mudança de headcount. Monte três cenários de orçamento anual, conservador, base e agressivo, e explique a diferença entre eles."
A projeção é uma simulação baseada nas premissas informadas. Não deve ser confundida com uma previsão automática do mercado.
Mudanças na política, entrada de um novo fornecedor e prazos de prestação de contas são exemplos de comunicações que podem ser preparadas com a ferramenta.
Exemplo de prompt para usar na gestão de viagens com o ChatGPT:
"Escreva um comunicado curto para os colaboradores informando que a partir de novembro toda despesa de viagem precisa de comprovante enviado em até 5 dias. Tom cordial, sem parecer bronca, com um exemplo do que acontece se o prazo passar."
O ChatGPT também pode ajudar o gestor de viagens a estruturar argumentos, antecipar objeções e preparar perguntas para uma negociação com fornecedores.
Prompt:
"Vou renegociar o acordo corporativo com uma rede de hotéis. Nosso volume subiu 30% no ano. Liste os argumentos que eu deveria levar, as contrapartidas que a rede pode pedir e três perguntas para descobrir a margem de negociação deles."
Em todos esses usos, existe uma condição: o modelo trabalha sobre as informações que recebe. Ele pode organizar, redigir e analisar, mas não conhece automaticamente a operação da empresa.
Saber onde a ferramenta não deve ser usada é tão importante quanto conhecer suas aplicações.
Não por padrão.
Se o gestor perguntar quanto custa um voo São Paulo–Recife para a próxima semana, a resposta não deve ser tratada como uma cotação atual sem que o modelo esteja conectado a uma fonte de dados de viagens.
Passagens aéreas e diárias de hotel variam conforme disponibilidade, data, demanda e outras condições comerciais. Uma resposta gerada sem acesso a esses dados pode estar desatualizada ou simplesmente incorreta.
Pode. Modelos de linguagem podem produzir respostas incorretas com aparência de certeza.
Isso merece atenção especial quando o conteúdo envolve estatísticas, valores, projeções, regras ou informações que serão usadas em uma apresentação ou relatório executivo.
Uma regra simples: se o dado não veio de uma fonte confiável ou de uma base oficial da empresa, confirme antes de utilizá-lo.
Não automaticamente.
Sem acesso ao documento ou ao sistema que contém as regras corporativas, o modelo responde com base no contexto disponível e em informações gerais. Uma recomendação pode, portanto, entrar em conflito com a política interna.
Esse é um dos motivos pelos quais existe uma diferença entre usar o ChatGPT como assistente de texto e conectá-lo aos dados e regras da operação.
Depende da conta, das configurações e das regras de segurança da empresa.
A OpenAI oferece controles diferentes para contas pessoais e ambientes empresariais. Nos produtos empresariais, como ChatGPT Business e Enterprise, os dados da organização não são usados para treinar os modelos por padrão. Em contas pessoais, existem configurações específicas para controlar o uso das conversas para melhoria dos modelos.
Isso não elimina a necessidade de uma política interna. Dados como nome de colaborador, destino, cargo, valores de despesas e informações financeiras devem ser tratados conforme as regras de segurança e privacidade da empresa.
Antes de enviar dados reais para qualquer ferramenta de IA, jurídico e segurança da informação devem definir quais informações podem ser utilizadas, em qual ferramenta e sob quais condições.
O ChatGPT, usado isoladamente, não deve ser confundido com um sistema de gestão de viagens.
Ele pode gerar textos, analisar informações e sugerir ações. Para reservar, aprovar, cancelar ou executar outras tarefas na operação, a inteligência artificial precisa estar conectada aos sistemas que possuem essas capacidades e às permissões necessárias.
A principal limitação do uso isolado é o acesso à informação. Se o gestor quer saber quanto a empresa gastou em determinada rota, por exemplo, precisa fornecer esse dado ao assistente. Isso pode significar exportar um relatório, abrir uma planilha e copiar informações para o chat.
Uma arquitetura conectada muda esse fluxo.
É nesse contexto que aparece o MCP (Model Context Protocol), um padrão aberto criado para conectar aplicações de inteligência artificial a fontes externas de dados e ferramentas.
Em vez de tirar um relatório do sistema e colar os dados no chat, o assistente pode consultar uma fonte conectada e autorizada para responder à pergunta.
A nova plataforma da VOLL adota o Model Context Protocol (MCP) para conectar os dados de viagens aos assistentes de inteligência artificial que as empresas já utilizam, como ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot.
Portanto, se a sua empresa já usa o ChatGPT conectado à operação interna, a integração permite que um gestor pergunte diretamente ao assistente quanto a empresa gastou em determinada rota ou como o ticket médio evoluiu em um período, sem precisar abrir outro sistema ou esperar a elaboração de um relatório.
A diferença em relação a simplesmente colar uma planilha no ChatGPT está em três pontos:
A informação vem da fonte conectada, em vez de depender de uma exportação manual.
O acesso pode seguir as permissões definidas na integração, evitando que a consulta dependa de uma conta pessoal com dados copiados manualmente.
A consulta acontece em linguagem natural, sem exigir que o gestor saiba construir uma análise ou navegar por diferentes relatórios.
A inteligência artificial generativa tradicional responde a perguntas. Uma arquitetura de IA agêntica acrescenta a possibilidade de interpretar contexto, seguir regras e executar determinadas tarefas.
Na gestão de viagens, isso pode significar acompanhar uma reserva, identificar uma situação que exige atenção ou executar uma ação autorizada pela empresa.
A nova plataforma da VOLL trabalha com agentes especializados para diferentes etapas da operação. A arquitetura também prevê diferentes níveis de autonomia: tarefas recorrentes podem ser automatizadas, enquanto situações de maior complexidade podem continuar dependendo de aprovação humana.
Felipe Borges, sócio-diretor de Engenharia e Produto da VOLL, explica que a arquitetura da plataforma de IA da VOLL trabalha com regras de controle, confirmação antes de ações que envolvam dinheiro e acionamento humano quando a situação exige:
Ela opera dentro de guardrails que não dependem do modelo se comportar. Segue a política da empresa, pede confirmação do viajante antes de qualquer coisa que envolva dinheiro e chama um humano quando a situação pede. Mais autonomia para a IA desenvolver o operacional, mais controle para a empresa e o gestor de viagens" - Felipe Borges, sócio-diretor de Engenharia e Produto da VOLL.
O princípio é simples: a empresa define onde a IA pode agir e onde a decisão continua com uma pessoa.
O ChatGPT pode acelerar tarefas do dia a dia, mas seu potencial aumenta quando a inteligência artificial deixa de depender de informações copiadas manualmente e passa a trabalhar com dados reais, contexto e regras da operação.
Com o MCP da VOLL, os dados de viagens podem ser conectados aos assistentes de IA que sua empresa já utiliza, permitindo consultar informações da operação em linguagem natural.
Direto no seu chat de IA do dia a dia, seja ele o ChatGPT, Gemini, Claude ou Copilot, você pode perguntar quanto a empresa gastou com uma companhia aérea, como evoluiu o ticket médio de uma rota ou o que levar para a próxima negociação, direto no assistente que sua equipe já usa.
O usuário só acessa as informações que já tem permissão para consultar, e todas as consultas ficam registradas.
E, com a VOLL Intelligence, agentes de IA podem avançar da consulta para a execução de tarefas, dentro das regras e do nível de autonomia definido pela empresa.
Preencha o formulário e fale com um especialista.
Entenda mais sobre a aplicação da IA nas viagens corporativas.
Não quando usado isoladamente. O ChatGPT pode escrever, analisar e sugerir. Para executar reservas, aprovações ou cancelamentos, é necessária uma integração com sistemas que tenham essas capacidades e permissões.
Não por padrão. Para responder sobre tarifas atuais, o assistente precisa estar conectado a uma fonte atualizada de dados de viagens.
Depende da conta, das configurações e das regras da empresa. Antes de inserir dados de colaboradores ou informações financeiras, a organização deve definir quais dados podem ser utilizados e em qual ferramenta.
O MCP (Model Context Protocol) é um padrão aberto para conectar assistentes de IA a fontes externas de dados e ferramentas. Na gestão de viagens, pode permitir consultas em linguagem natural sobre dados reais da operação, conforme as permissões e regras definidas na integração.
O ChatGPT pode responder perguntas, produzir textos e analisar informações fornecidas pelo usuário. Uma IA agêntica para viagens pode, quando conectada aos sistemas necessários, interpretar contexto e executar tarefas dentro das regras definidas pela empresa.
Não. A aplicação da IA na gestão de viagens concentra parte do trabalho operacional e repetitivo na tecnologia, enquanto decisões de política, estratégia e situações que exigem julgamento continuam sob responsabilidade da empresa e do gestor.