Blogs sobre gestão de viagens corporativas, mobilidade e despesas corporativas

Como implementar a ISO 31030 nas viagens corporativas?

Escrito por Luiz Moura | 20/07/26 21:42

A ISO 31030 é a diretriz internacional de gestão de risco em viagens corporativas: o passo a passo reconhecido para transformar o dever de cuidado com quem viaja a trabalho em um processo executável.

Uma alteração inesperada de voo, um evento climático extremo, problemas médicos durante uma viagem internacional ou até mesmo a falta de visibilidade sobre a localização dos viajantes podem gerar impactos operacionais, financeiros e reputacionais significativos para as organizações.

Para isso, a ISO 31030 ajuda as empresas a garantirem o duty of care. Considerada a principal referência internacional para a gestão de riscos em viagens corporativas, a norma reúne diretrizes que auxiliam organizações de diferentes portes a identificar, avaliar e mitigar riscos antes, durante e depois dos deslocamentos profissionais.

Neste artigo, você vai entender a real aplicação do tema nas viagens cortativas, quais organizações devem seguir essas diretrizes e como fortalecer suas estratégias de Travel Risk Management sem abrir mão da experiência dos colaboradores.

O que é a ISO 31030?

A ISO 31030 é a norma internacional que orienta empresas a gerir os riscos das viagens a trabalho, tanto para o viajante quanto para a organização. Publicada pela ISO (Organização Internacional de Normalização), ela define como montar uma política de risco de viagem, avaliar ameaças e perigos e responder a incidentes durante a jornada corporativa.

A norma, então, oferece recomendações de boas práticas e dá à empresa liberdade para adaptá-las ao seu contexto de risco. É isso que a separa de normas certificáveis como a ISO 9001.

Essa natureza tem uma consequência que costuma confundir o mercado: não existe certificação ISO 31030. A organização demonstra conformidade alinhando seu programa de gestão de risco de viagem à norma e comprovando esse alinhamento por auditoria interna ou verificação independente.

A ISO 31030 se apoia nos princípios e no processo da ISO 31000 (gestão de riscos) e se alinha à ISO 45001 (saúde e segurança ocupacional). Vale para empresas de qualquer porte e setor, e trata de viagens a serviço especificamente, não sendo aplicada a turismo de lazer.

Quando a ISO 31030 foi criada?

A ISO 31030 foi publicada em setembro de 2021, em primeira edição, pelo comitê técnico ISO/TC 262, responsável pela família de normas de gestão de riscos da ISO.

O desenvolvimento começou antes disso. A proposta chegou à ISO em 2017 e evoluiu de uma especificação britânica já existente, a PAS 3001:2016, publicada pela BSI. A norma consolidou anos de prática de mercado em um padrão internacional único.

Por que a ISO 31030 foi criada?

Até 2021, não havia uma norma internacional dedicada à gestão de risco em viagens. Cada empresa tratava o tema à sua maneira, apoiada em políticas internas, apólices de seguro e boa vontade, sem um parâmetro reconhecido do que seria uma diligência razoável.

A ISO 31030 surgiu para preencher essa lacuna e dar às organizações um caminho estruturado para cumprir o dever de cuidado (duty of care) com quem viaja a trabalho, inclusive quando a operação cruza várias jurisdições.

A publicação coincidiu com um período de forte disrupção global nas viagens, em virtude da retomada desses fluxos após a pandemia, que levou a saúde e a segurança do viajante ao centro da agenda corporativa. A própria norma dedica um anexo às viagens em cenários de disrupção.

Por que a ISO 31030 foi criada?

A ISO 31030 foi criada para ajudar empresas a identificar, avaliar e gerenciar os riscos relacionados às viagens corporativas.

A norma internacional estabelece diretrizes para a gestão de riscos em viagens a trabalho, permitindo que organizações de diferentes portes fortaleçam suas práticas de Travel Risk Management e duty of care dos colaboradores.

Sua criação reflete uma mudança importante na forma como as empresas enxergam as viagens corporativas. Se antes a preocupação estava concentrada em reservas, aprovações e despesas, hoje as organizações precisam considerar uma série de fatores que podem impactar a segurança, a experiência do viajante e a continuidade das operações.

Uma viagem corporativa envolve, por exemplo, alterações de voos, problemas médicos, eventos climáticos extremos, mudanças geopolíticas, dificuldades de mobilidade urbana e falhas na comunicação, todas situações que precisam de respostas rápidas e processos previamente definidos pelas empresas.

Assim, a ISO 31030 ajuda as empresas a lidarem com esses desafios ao responder, de antemão, questões como:

  • Como identificar os riscos associados a determinados destinos?

  • Quais procedimentos devem ser adotados em situações emergenciais?

  • Como garantir que colaboradores recebam suporte adequado durante seus deslocamentos?

  • Quais informações precisam estar disponíveis para gestores e equipes responsáveis pelas viagens corporativas?

  • Como fortalecer as práticas de duty of care sem comprometer a experiência do viajante?

A ISO 31030 é obrigatória no Brasil?

Não. A ISO 31030 não é obrigatória no Brasil e, atualmente, não existe uma legislação que determine sua adoção pelas empresas. Trata-se de uma norma internacional que reúne diretrizes para a gestão de riscos em viagens corporativas, podendo ser implementada voluntariamente por organizações de diferentes portes e segmentos.

Apesar disso, limitar a discussão sobre a ISO 31030 ao fato de ela ser obrigatória ou não pode levar a uma interpretação equivocada sobre a sua importância.

A questão mais relevante para as empresas é saber quais riscos estão associados às suas operações e como eles podem ser gerenciados no dia a dia das viagens corporativas.

Uma organização que possui colaboradores viajando semanalmente enfrenta desafios muito diferentes daqueles observados há alguns anos.

Alterações operacionais, problemas relacionados à mobilidade, eventos climáticos extremos, viagens internacionais e situações emergenciais exigem processos capazes de oferecer visibilidade, suporte e respostas rápidas aos viajantes.

Para mim, como já relatei em uma publicação no Panrotes, o duty of care é algo indispensável:

 Primeiro, acesso a dados confiáveis, que seja ao mesmo tempo seguro e facilitado. Com análises preditivas, para que o cliente consiga tomar ação sobre eles. A informação tem que ser precisa e profunda. Dados rasos são perigosos, pois estamos falando de vidas e não temos margem para erro." -  Luiz Moura, CBO e Co-Founder da VOLL

Quais empresas devem aplicar a ISO 31030 na gestão de viagens corporativas?

A ISO 31030 pode ser aplicada por empresas de diferentes portes e segmentos que realizam viagens corporativas nacionais ou internacionais.

Embora seja frequentemente associada a grandes multinacionais, suas diretrizes são igualmente relevantes para organizações que possuem equipes em constante deslocamento, colaboradores que visitam clientes regularmente ou operações distribuídas em diferentes localidades, e querem garantir o bem-estar desses viajantes.

Ainda, a implementação da ISO 31030 pode ser particularmente estratégica para empresas que possuem:

  • Grande volume de viagens corporativas ao longo do ano;

  • Equipes comerciais, executivas ou técnicas em constante deslocamento;

  • Operações nacionais distribuídas em diferentes estados ou regiões do país;

  • Viagens internacionais frequentes;

  • Colaboradores que visitam clientes, fornecedores ou unidades operacionais regularmente;

  • Programas de mobilidade corporativa associados às viagens de trabalho;

  • Necessidade de fortalecer suas práticas de duty of care e governança das viagens corporativas.

Em outras palavras, a pergunta que as empresas devem fazer ao analisar se precisam implementar a ISO 31030 é "nossos processos atuais nos permitem identificar, monitorar e responder adequadamente aos riscos envolvidos nas viagens corporativas?".

Não à toa, 58% dos viajantes de negócios acham que a empresa poderia fazer mais pela sua segurança, segundo o Business Travel Outlook 2026, o que reforça essa necessidade.

Como implementar a ISO 31030 em 6 etapas

O principal objetivo da norma é estabelecer diretrizes para que a gestão dos riscos aconteça de forma contínua, desde o planejamento da viagem até o retorno do colaborador. Algumas etapas que ajudam nesse processão são:

1. Mapeie os riscos das viagens corporativas

O primeiro passo é entender quais riscos fazem parte da operação da sua empresa. Eles variam de acordo com fatores como volume de viagens, perfil dos viajantes, destinos mais frequentes e natureza das atividades desempenhadas pelos colaboradores.

Algumas perguntas podem auxiliar nessa análise:

  • Quais são os principais destinos nacionais e internacionais da empresa?

  • Os colaboradores viajam sozinhos ou em grupo?

  • Existem viagens realizadas para regiões consideradas de maior risco?

  • A empresa possui processos para lidar com alterações operacionais ou situações emergenciais?

  • Há visibilidade sobre a localização dos viajantes durante seus deslocamentos?

Mapear esses cenários permite identificar vulnerabilidades e estabelecer prioridades para a gestão dos riscos.

2. Estruture uma política de viagens baseada em riscos

Uma política de viagens corporativas eficiente vai além da definição de limites de despesas e fornecedores homologados. Ela também deve estabelecer procedimentos relacionados à segurança, comunicação e suporte aos viajantes.

A política deve responder questões como:

  • Quais informações precisam ser compartilhadas antes do embarque?

  • Como funcionam as aprovações para determinados destinos?

  • Quais são os canais de suporte disponibilizados aos colaboradores?

  • Quais procedimentos devem ser adotados em situações excepcionais?

  • Como as viagens internacionais serão gerenciadas?

Quanto mais objetiva for a política, mais simples será sua aplicação no dia a dia das operações.

3. Garanta visibilidade sobre toda a jornada do viajante

Não é possível gerenciar aquilo que não pode ser monitorado. Um dos pilares da ISO 31030 está relacionado à capacidade das empresas de acompanhar suas operações em tempo real.

Isso inclui possuir visibilidade sobre informações como:

  • Reservas realizadas;

  • Alterações de itinerário;

  • Deslocamentos dos colaboradores;

  • Despesas relacionadas às viagens;

  • Solicitações excepcionais e aprovações.

Centralizar essas informações contribui para uma tomada de decisão mais ágil e reduz o tempo de resposta diante de imprevistos operacionais.

4. Defina processos para situações emergenciais

Toda empresa que realiza viagens corporativas deve possuir procedimentos previamente estabelecidos para lidar com situações inesperadas.

Algumas definições são fundamentais:

  • Quem deve ser acionado em uma emergência;

  • Quais canais serão utilizados para comunicação com os viajantes;

  • Quais equipes serão responsáveis pela tomada de decisão;

  • Quais procedimentos serão adotados em caso de cancelamentos, interrupções operacionais ou problemas médicos.

Ter essas respostas antes que um incidente aconteça é um dos princípios centrais da ISO 31030.

5. Utilize a tecnologia para fortalecer a gestão dos riscos

A aplicação das diretrizes da ISO 31030 depende diretamente da capacidade das empresas de integrar informações relacionadas às viagens corporativas.

Quando reservas, aprovações, pagamentos, despesas e mobilidade são gerenciados em sistemas desconectados, torna-se mais difícil acompanhar a jornada do colaborador e responder rapidamente a situações excepcionais.

Plataformas integradas de gestão de viagens corporativas permitem aumentar a visibilidade sobre as operações, fortalecer o compliance das políticas internas e oferecer maior suporte aos viajantes durante seus deslocamentos.

6. Monitore continuamente seus processos

A gestão dos riscos em viagens corporativas não é um projeto com início, meio e fim. Trata-se de um processo contínuo de avaliação e melhoria.

Por esse motivo, é importante acompanhar indicadores como:

  • Taxa de adoção da política de viagens;

  • Volume de exceções aprovadas;

  • Tempo médio de resposta em situações emergenciais;

  • Índice de conformidade das reservas realizadas;

  • Ocorrências registradas durante as viagens;

  • Satisfação dos colaboradores em relação à experiência oferecida pela empresa.

A análise desses dados permite identificar oportunidades de melhoria e adaptar as políticas corporativas às necessidades da operação.

Como a VOLL ajuda as empresas a cuidarem de seus viajantes corporativos?

A ISO 31030 depende de uma condição silenciosa: o viajante precisa estar dentro do canal oficial. A política mais bem escrita não localiza ninguém quando o colaborador reserva por fora, e ele reserva por fora sempre que o caminho oficial é mais lento que abrir o site da companhia aérea.

Na VOLL, a maior agência de viagens corporativas da América Latina, a governança e experiência do usuário caminham juntas. Nossa plataforma foi desenvolvida para tornar a conformidade com as políticas corporativas o caminho mais simples para o colaborador, sem abrir mão da autonomia durante toda a jornada da viagem.

Com uma experiência mobile-first, intuitiva e integrada, a VOLL alcança um índice de satisfação de 97% entre os usuários da plataforma e impulsiona taxas de compliance que chegam a 95% no mercado, alcançando 98% em grandes operações, como no case do Banco Itaú.

As regras definidas pela empresa são aplicadas desde a pesquisa das opções de viagem.

O Farol de Política orienta os colaboradores em tempo real, identificando visualmente quais escolhas estão dentro ou fora das diretrizes corporativas. Caso uma exceção seja necessária, o sistema informa exatamente qual regra foi ultrapassada, solicita uma justificativa do viajante e direciona automaticamente a solicitação para os fluxos de aprovação estabelecidos pela organização.

Toda a operação é parametrizada de acordo com as necessidades de cada cliente. A inteligência artificial da VOLL atua preventivamente para identificar as melhores opções de custo-benefício e aplicar os controles definidos pela política antes mesmo da reserva ou do pagamento acontecerem.

Se você quer que a sua política de viagens saia do documento e passe a valer automaticamente na operação, fale com a VOLL e veja como isso funciona no seu programa.

Preencha o formulário abaixo e a equipe da VOLL entrará em contato com você!

Perguntas frequentes sobre ISO 31030

Saiba mais sobre o assunto.

A ISO 31030 é obrigatória?

Não, a ISO 31000/31030 não é obrigatória. Como diretriz técnica, sua adoção é voluntária. No entanto, serve como padrão de excelência global para gestão de riscos de viagens corporativas, o que ajuda as empresas a cumprirem seu duty of care.

A ISO 31030 é uma certificação?

Não. Diferentemente de outras normas ISO, a ISO 31030 não é certificável. Ela funciona como um framework internacional de boas práticas que pode ser adaptado às necessidades e ao nível de maturidade de cada organização.

Qual é o objetivo da ISO 31030?

O principal objetivo da ISO 31030 é auxiliar as empresas na criação de políticas, processos e mecanismos de monitoramento capazes de reduzir riscos antes, durante e depois das viagens corporativas. A norma também contribui para fortalecer a tomada de decisão em situações emergenciais e melhorar as práticas relacionadas ao duty of care.

Qual a relação entre a ISO 31030 e o duty of care?

O duty of care representa a responsabilidade das empresas em oferecer condições adequadas de segurança, suporte e assistência aos colaboradores durante suas atividades profissionais. A ISO 31030 fornece diretrizes práticas para que as organizações fortaleçam essas responsabilidades no contexto das viagens corporativas.