Bleisure: como aplicar essa tendência de forma estratégica nas viagens corporativas?
A integração entre trabalho e lazer já influencia decisões de mobilidade corporativa, políticas internas e até negociações com hotéis.
Se você já leu este termo por aí, ou é a primeira vez que tem contato com a palavra, certamente está se perguntando o que é bleisure.
O conceito está relacionado ao setor de viagens corporativas e tem sido cada vez mais discutido nos últimos anos, desde que o mercado começou a olhar com maior estratégia para as pessoas que viajam a negócios.
Grandes empresas já descobriram as vantagens dos viajantes corporativos desfrutarem de algum tempo de lazer durante essas viagens. Continue a leitura e descubra esses benefícios também.
As viagens corporativas se transformaram nos últimos anos. Depois da retomada global do setor, empresas passaram a olhar com mais atenção para aspectos como experiência do colaborador, retenção de talentos e sustentabilidade da rotina de deslocamentos.
Já levantamentos internacionais da Global Business Travel Association (GBTA) apontam que parte significativa dos viajantes corporativos demonstra interesse em estender viagens a trabalho para incluir momentos de lazer, prática conhecida como bleisure.
Ao mesmo tempo, o duty of care (dever de cuidado da empresa com o colaborador) ampliou o debate sobre como garantir segurança, rastreabilidade e clareza de responsabilidades quando a viagem combina agendas profissionais e pessoais.
Nesse contexto, o bleisure deixa de ser apenas um comportamento espontâneo do viajante e passa a exigir estrutura, política clara e gestão integrada.
Neste artigo, você vai entender:
-
O que é bleisure e como o conceito evoluiu no setor;
-
Por que essa prática se tornou uma tendência nas viagens corporativas;
-
Quais benefícios ela pode gerar para empresa e colaborador;
-
Quais riscos precisam ser mapeados;
-
Como inserir o bleisure na política de viagens de forma estruturada;
-
Como a tecnologia e a gestão adequada tornam essa prática viável dentro do programa de viagens corporativas.
O que é bleisure?
Bleisure é a combinação entre as palavras em inglês business (negócios) e leisure (lazer). O termo descreve a prática de estender uma viagem corporativa para incluir dias de descanso, atividades turísticas ou experiências pessoais no destino.
O que começou como uma decisão individual de alguns viajantes passou a ganhar relevância estratégica à medida que essa tendência impacta na experiência do colaborador na empresa.
Com modelos híbridos de trabalho, maior flexibilidade e foco crescente em qualidade de vida, o deslocamento corporativo também é percebido como oportunidade.
Na prática, o modelo costuma ocorrer de três formas principais:
-
Extensão da estadia após o término do compromisso profissional;
-
Antecipação da viagem para aproveitar o destino antes da agenda corporativa;
-
Permanência no local durante o final de semana quando a viagem ocorre próxima a esses dias.
É importante destacar que o bleisure não significa misturar despesas ou comprometer a agenda profissional. A premissa central é a separação clara entre o que é custeado pela empresa e o que é responsabilidade pessoal do colaborador.
O bleisure para os colaboradores, empresas e para o mercado
O bleisure não é apenas uma escolha individual do viajante. Ele reflete mudanças estruturais no comportamento profissional, no setor de hospitalidade e na forma como as empresas organizam seus programas de viagens corporativas.
Benefícios percebidos pelo colaborador
Uma pesquisa conduzida pela PANROTAS em parceria com o Trvl Lab e o Travel Tech Hub mostrou que quase 50% dos viajantes corporativos ocasionalmente estendem as viagens de negócios para aproveitar o destino a lazer e que 44% dos profissionais já recusaram viagens que não permitiam experiências pessoais.
O principal fator de atração é a possibilidade de reduzir a sensação de deslocamento constante, equilibrando compromissos profissionais com momentos de descanso. Isso pode impactar:
-
Employee experience (experiência do colaborador);
-
Percepção positiva sobre a empresa;
-
Redução da fadiga associada a viagens frequentes.
Tendência no setor hoteleiro e o avanço do workation
A hotelaria também se adaptou a esse comportamento. As redes hoteleiras vêm investindo em:
-
Espaços híbridos de trabalho;
-
Internet de alta performance;
-
Tarifas flexíveis para estadias prolongadas;
-
Infraestrutura voltada a long stays.
Esse movimento está conectado ao conceito de workation, quando o profissional combina trabalho remoto e permanência temporária em outro destino. Embora não seja idêntico ao bleisure, ambos dialogam com a ideia de maior flexibilidade na mobilidade corporativa.
Para o gestor de viagens, isso significa novas variáveis de negociação e novas demandas na gestão de fornecedores.
Pontos de atenção no programa de viagens corporativas
Apesar das vantagens, o bleisure exige estrutura. Quando não há diretrizes claras, surgem riscos como:
- Mistura indevida de despesas pessoais e corporativas.
- Dúvidas sobre cobertura de seguro.
- Falhas no duty of care durante o período estendido.
- Complexidade adicional na conciliação financeira.
Além disso, é fundamental definir:
-
Quem arca com o custo da extensão.
-
Como funciona a aplicação da política de viagens.
-
Como será tratada a responsabilidade em caso de incidentes fora do período corporativo.
Empresas que ignoram o tema tendem a lidar com exceções não previstas. Já aquelas que estruturam regras claras conseguem transformar o bleisure em uma prática organizada dentro do programa de viagens corporativas, e preservar governança e previsibilidade.
Por que investir no bleisure?
O que não falta são pesquisas para confirmar os benefícios do bleisure e mostrar porque, nos maiores países, a modalidade já se consolidou.
Palestras recentes da ALAGEV (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas) indicam que o bem-estar e a experiência do viajante figuram entre as prioridades estratégicas dos programas de viagens no Brasil em 2026.
A diretora-executiva da associação, Luana Nogueira, em sua fala durante o painel "Inovação em Viagens e Eventos Corporativos" destacou que:
"O avanço das viagens corporativas não está apenas nas ferramentas tecnológicas, mas na forma como as empresas as utilizam para melhorar a experiência dos viajantes e o impacto das organizações".
Estudos recentes do setor indicam que o mercado global de viagens "bleisure" já atingiu US$ 816,24 bilhões em 2025 e a previsão é de que cresça para US$ 961,78 bilhões em 2026, refletindo a consolidação dessa prática como parte da dinâmica das viagens corporativas.
O avanço também aparece no comportamento de reserva. Dados divulgados pela Navan apontam que as reservas associadas a bleisure cresceram 275% entre 2023 e 2024, sinalizando que a prática não apenas retornou após a pandemia, mas acelerou.
A perspectiva do colaborador
Do ponto de vista individual, os principais fatores que tornam o bleisure atrativo incluem:
-
Ter tempo para explorar o destino (70%);
-
Fazer novas conexões (58%);
-
Trabalhar em um ambiente diferente (57%);
-
Viver novas experiências (55%).
Pesquisa conduzida pela Crowne Plaza Hotels & Resorts mostrou ainda que:
-
31% dos colaboradores acreditam que combinar trabalho e lazer pode impulsionar o desenvolvimento profissional;
-
39% afirmam que essa prática aumentaria seus níveis de felicidade.
Esses dados ajudam a explicar por que o bleisure passou a dialogar com estratégias de retenção de talentos e employer branding.
O papel das novas gerações no bleisure como tendência
A transformação tem forte relação com o perfil das gerações mais jovens no mercado de trabalho.
Levantamentos indicam que:
-
79% da Geração Z desejam viajar a trabalho como forma de conhecer novos destinos;
-
Entre millennials, o percentual é de 72%;
-
Na Geração X, 60% demonstram esse interesse.
Além disso, 41% dos profissionais da Geração Z afirmam que gostariam que suas empresas permitissem a extensão da viagem corporativa para momentos de lazer.
Pesquisas da rede Hilton Hotels & Resorts já haviam apontado que o bleisure alterou a percepção das viagens de negócios entre jovens profissionais nos Estados Unidos, tornando-as mais atrativas e menos associadas exclusivamente à obrigação corporativa.
Principais vantagens para as empresas
Quando analisado sob uma perspectiva de gestão estruturada, o bleisure pode gerar ganhos relevantes para o programa de viagens corporativas. Entenda abaixo quais são eles.
1. Impacto na produtividade e no desempenho individual
Viagens corporativas intensas, com agendas concentradas e deslocamentos frequentes, costumam gerar fadiga e impactar a produtividade durante a viagem. Ao permitir uma extensão planejada da estadia, o bleisure pode reduzir a percepção de desgaste e tornar o retorno mais equilibrado.
O colaborador tende a voltar menos estressado, com sensação de aproveitamento do deslocamento e maior disposição para retomar suas atividades. Ao mesmo tempo, a empresa mantém sua agenda de negócios e pode se beneficiar de um profissional mais engajado.
O perfil do novo viajante corporativo valoriza experiências e qualidade nas interações. Eventos presenciais, networking e negociações ganham outra dimensão quando o deslocamento deixa de ser visto apenas como obrigação operacional.
2. Atração e retenção de talentos
Programas de viagens que reconhecem a possibilidade de bleisure dialogam diretamente com as expectativas das gerações mais jovens.
Em mercados competitivos, oferecer políticas mais flexíveis pode se tornar diferencial na proposta de valor ao colaborador, especialmente em cargos que demandam deslocamentos frequentes.
Empresas que ignoram essa realidade correm o risco de perder relevância diante de concorrentes que já incorporaram o tema de forma estruturada.
3. Potencial de otimização financeira
Embora possa parecer contraintuitivo, o bleisure não necessariamente aumenta custos.
Quando bem gerido, pode:
-
Permitir emissão de passagens fora de horários de pico;
-
Diluir tarifas médias em estadias prolongadas;
-
Melhorar negociações com hotéis para long stays.
Além disso, as empresas que se mostram flexíveis em relação ao bleisure acabam economizando nas viagens corporativas, já que viajar ou se hospedar no final de semana, que é o período no qual os viajantes costumam aproveitar para lazer, é mais caro.
4. Fortalecimento do programa de viagens corporativas
Ao incorporar o bleisure na política, a empresa reduz exceções informais e amplia a previsibilidade.
Isso significa:
-
Menos discussões sobre reembolsos;
-
Mais clareza sobre cobertura de seguro;
-
Melhor aplicação do duty of care;
-
Registro mais organizado no sistema de reservas.
Portanto, ainda que seja uma tendência, muitas empresas ainda demonstram cautela em relação ao tema.
O receio costuma estar relacionado a aspectos como aumento de custos, perda de controle sobre a jornada e riscos jurídicos associados à extensão da estadia. Essa resistência é compreensível, especialmente em organizações com políticas rígidas ou alto volume de deslocamentos.
Esse aspecto tende a diminuir quando a discussão sai do campo emocional (“perderemos controle”) e passa para o campo estrutural (“como organizar essa prática dentro do programa”).
Como inserir o bleisure na política de viagens
Por isso, antes de permitir extensões informais, é fundamental atualizar a política de viagens corporativas e garantir alinhamento com o modelo de gestão de fornecedores, controle de despesas e diretrizes de duty of care.
Permitir o bleisure sem diretrizes claras tende a gerar dúvidas operacionais e conflitos financeiros. A adoção dessa prática deve partir de critérios objetivos e integração com o programa de viagens corporativas.
Abaixo, um roteiro que ajuda o gestor a estruturar o tema dentro da política.
1. Definir elegibilidade e limites
Estabeleça em quais situações o bleisure é permitido:
-
Todos os colaboradores ou apenas determinados níveis?
-
Extensão máxima de dias?
-
Necessidade de aprovação prévia?
Essa definição evita decisões casuísticas e garante tratamento uniforme.
2. Separar claramente despesas corporativas e pessoais
Determine quais custos permanecem sob responsabilidade da empresa (por exemplo, passagem no período da agenda profissional) e quais são assumidos pelo colaborador (diárias adicionais, alimentação pessoal, atividades turísticas).
A regra deve prever como será feita a separação no sistema de reservas e na gestão de despesas.
Em geral, é responsabilidade da empresa:
-
Custos diretamente relacionados à atividade corporativa, como passagens, hospedagem nos dias úteis e transporte necessário para reuniões ou eventos.
-
Despesas com refeições e outros benefícios previstos na política de viagens.
Já o colaborador fica responsável por:
-
Estadia e refeições nos dias adicionais destinados ao lazer;
-
Atividades turísticas, transporte extra e qualquer custo que não esteja vinculado à viagem de negócios.
3. Ajustar cobertura de seguro e duty of care
Defina até que momento a empresa mantém cobertura e suporte. O período de lazer pode:
-
Estar incluído na apólice corporativa;
-
Exigir contratação complementar pelo colaborador;
Essa clareza reduz riscos jurídicos e zonas cinzentas de responsabilidade.
4. Integrar o tema ao sistema de gestão de viagens
A política deve estar alinhada à tecnologia utilizada na gestão de viagens corporativas. Idealmente, o sistema deve permitir:
-
Registro da extensão;
-
Aplicação automática de política;
-
Consolidação correta de despesas.
Isso evita controles paralelos e retrabalho do time financeiro.
5. Comunicar regras de forma transparente
O bleisure precisa ser formalizado por meio de documento interno ou atualização da política. Comunicação clara reduz interpretações equivocadas e amplia adesão.
6. Monitorar impactos no custo total
Após implementação, acompanhe indicadores de gestão de viagens como:
-
Volume de exceções;
-
Índice de satisfação do viajante.
A prática deve ser reavaliada periodicamente para garantir equilíbrio entre flexibilidade e controle.
Leia mais em: Como construir uma política de bleisure sem comprometer o orçamento corporativo.
Cuidados importantes ao adotar o bleisure
Mesmo com regras definidas, a adoção do bleisure exige atenção a pontos críticos que podem comprometer a governança e o controle se não forem antecipados.
Em resumo, os principais cuidados que a empresa deve adotar se relacionam a pontos como:
-
Responsabilidade jurídica bem delimitada: definir claramente até quando a empresa responde pelo colaborador e como se aplica o duty of care durante a extensão;
-
Aplicação consistente da política de viagens: evitar exceções informais ou acordos verbais que fragilizam o programa de viagens corporativas;
-
Cobertura de seguro adequada: verificar se a apólice corporativa cobre o período adicional ou se será necessária contratação complementar;
-
Separação rigorosa de despesas: garantir que custos pessoais não sejam lançados como corporativos e que o sistema permita rastreabilidade completa;
-
Impacto na negociação com fornecedores: avaliar como a extensão pode afetar acordos corporativos com hotéis e companhias aéreas;
-
Conformidade fiscal e trabalhista: analisar implicações em caso de incidentes fora do período oficialmente corporativo;
-
Comunicação transparente com o colaborador: formalizar regras por escrito para reduzir interpretações divergentes.
Quando esses pontos são mapeados desde o início, o bleisure passa a operar dentro da mesma lógica de governança aplicada às demais viagens corporativas.
Como a VOLL ajuda sua empresa a estruturar o bleisure dentro da gestão de viagens corporativas
O bleisure só se sustenta quando está integrado à política, à tecnologia e ao controle financeiro do programa de viagens corporativas. Caso contrário, torna-se uma exceção informal difícil de monitorar.
A VOLL organiza essa dinâmica dentro de um fluxo estruturado de gestão. Como a maior agência de viagens corporativas digital da América Latina, conecta reservas, mobilidade e despesas em um único ambiente, permitindo:
-
Aplicação automatizada da política de viagens, inclusive em casos de extensão de estadia;
-
Separação clara entre custos corporativos e pessoais;
-
Consolidação de dados em tempo real para análise do custo total da jornada;
-
Monitoramento contínuo do desempenho do programa e dos fornecedores.
A tecnologia proprietária da VOLL, combinada à IA aplicada ao controle de tarifas e auditoria de despesas, amplia a previsibilidade e reduz exceções operacionais. Isso significa que práticas como o bleisure podem ser incorporadas sem comprometer compliance, governança ou conciliação financeira.
O modelo integrado ainda facilita a atuação conjunta entre compras, financeiro e RH, garantindo que a flexibilidade para o colaborador não se transforme em perda de controle para a empresa.
Além disso, nossa equipe de especialistas oferece um atendimento consultivo, auxiliando na construção de políticas de bleisure e no suporte a dúvidas, alterações ou emergências, garantindo segurança e tranquilidade para gestores e viajantes do início ao fim do processo.
Faça como nossos parceiros com cases de sucesso e integre práticas como o bleisure com segurança e controle. Conheça as soluções da VOLL e entre em contato com a nossa equipe para entender como estruturar essa modalidade no seu programa.
